Simples Nacional Híbrido: O Que Você Precisa Decidir até 30 de Setembro

A Reforma Tributária está mudando a forma como os impostos funcionam no Brasil. A partir de setembro de 2026, quem tem uma empresa no Simples Nacional vai precisar escolher como quer pagar dois novos impostos que estão nascendo: a CBS (federal) e o IBS (de estados e municípios).
Se você leu isso e já ficou preocupado com a burocracia, pode respirar fundo! Criamos este guia simples e direto para te mostrar o que muda na prática, e por que a maioria dos donos de empresa não vai precisar fazer absolutamente nada.
O Resumo que Você Precisa Saber (Em 1 Frase)
Se você quer continuar pagando seus impostos do jeito que já faz hoje, você NÃO precisa fazer nada.
A permanência no modelo atual é automática. Você só precisa agir e preencher algum pedido se quiser mudar para o novo modelo, chamado de Modelo Híbrido.
Tradicional vs. Híbrido: Qual é a Diferença?
Para não complicar com termos técnicos, a diferença principal entre as duas opções se resume a como você paga o imposto e quanto de desconto de imposto o seu cliente ganha:
- Modelo Tradicional (O jeito que já é hoje): Você continua recolhendo todos os tributos unificados na guia do DAS. A alíquota cobrada é reduzida (conforme as tabelas do Simples Nacional), e a sua empresa gera um crédito tributário limitado para os clientes PJ. É a opção padrão para quem não fizer solicitações até 30 de setembro.
- Modelo Híbrido (A nova opção): O recolhimento da CBS e do IBS é feito "por fora" do DAS, aplicando a alíquota cheia do imposto. Em contrapartida, a sua empresa passa a gerar crédito tributário integral para os compradores. Essa modalidade exige maior controle contábil na separação de despesas operacionais e pessoais.
As Duas Opções, em Resumo
Nenhuma das duas opções é "a correta" universalmente. A resposta certa depende do seu tipo de cliente, e não do seu setor. Veja a comparação detalhada:
1. Ficar como está (Modelo Tradicional)
- Onde paga o CBS/IBS: Junto com todos os outros impostos, na guia única do DAS.
- Alíquota aplicada: Reduzida, aproveitando as taxas próprias do Simples Nacional.
- Carga tributária: Não muda em nada para o seu bolso.
- Crédito gerado para o cliente: Limitado (o seu cliente ganha um desconto menor de imposto ao comprar de você).
- Rotina de controle: A mesma de sempre, sem complicações extras.
2. Migrar para o Modelo Híbrido
- Onde paga o CBS/IBS: Separado, "por fora" da guia do DAS.
- Alíquota aplicada: Cheia, igual à taxa de empresas de fora do Simples Nacional.
- Carga tributária: Tende a aumentar para a sua empresa.
- Crédito gerado para o cliente: Integral (o seu cliente ganha o desconto máximo de imposto).
- Rotina de controle: Mais rigorosa (será preciso guardar todas as notas fiscais e separar com disciplina os gastos pessoais dos gastos do CNPJ).
Como Funciona o Crédito Tributário na Prática?
Essa palavra "crédito tributário" soa complicada, mas a ideia é bem simples: é o desconto de imposto que a empresa que compra de você tem direito a receber.
Com os novos impostos, quando uma empresa compra um produto ou serviço seu, ela pode usar o imposto que você já pagou para abater do imposto que ela mesma deve ao governo. É como se a sua nota fiscal gerasse um "cupom de desconto" no imposto do seu cliente.
- No Modelo Tradicional: Como você paga menos imposto no DAS, o "desconto" que você repassa para o seu cliente também é menor.
- No Modelo Híbrido: Como você paga a taxa cheia de imposto por fora, o seu cliente recebe um "desconto" integral, bem mais alto.
Pontos de atenção sobre a mecânica de créditos:
- O cliente só pode utilizar o crédito fiscal após o recolhimento do imposto pela sua empresa. A emissão isolada da nota fiscal não valida o crédito.
- Ao solicitar o ressarcimento em dinheiro de créditos acumulados, o CNPJ fica vinculado ao modelo Híbrido pelo período mínimo de dois anos, sem possibilidade de retorno antecipado ao Tradicional.
- Esse desconto só faz diferença se o seu cliente for uma empresa que precisa desse abatimento. Se o seu cliente for uma pessoa física, esse desconto simplesmente não serve para nada na prática.
Qual é o Perfil da Sua Empresa?
Para saber qual caminho seguir, identifique em qual destes dois grupos o seu CNPJ se encaixa:
🟢 Grupo 1: Perfil Adequado ao Modelo Tradicional
Isso vale para você se:
- A maior parte das suas vendas é feita para pessoas físicas (consumidor final).
- Você presta serviço no modelo PJ para uma única empresa contratante.
- Sua empresa está aberta, mas sem faturamento no momento.
- Seus clientes não ficam pedindo ou utilizando desconto de imposto.
O que fazer: NADA! Permanecer no modelo Tradicional é a escolha mais segura para quem está no Grupo 1, e isso acontece de forma 100% automática se você não fizer nenhum pedido até 30 de setembro.
🟡 Grupo 2: Perfil para Análise do Modelo Híbrido
Isso vale para você se:
- Uma parte importante do seu faturamento vem de vendas para outras empresas (B2B), principalmente grandes empresas do Lucro Real ou Presumido.
- Seus clientes já sinalizaram que preferem fornecedores que gerem "crédito alto" para eles abaterem impostos.
- Sua empresa tem despesas altas em nome do CNPJ (aluguel comercial, softwares, insumos) que também podem virar desconto de imposto para você.
O que fazer: Aqui vale a pena colocar os números no papel antes de decidir. Se o ganho comercial com seus clientes B2B compensar o aumento de imposto, aí sim vale a pena solicitar a migração para o Híbrido.
E o MEI?
Se você é MEI dentro do limite de faturamento, nada muda para você. Sua opção continua sendo feita em janeiro, como sempre, e o MEI não tem acesso ao modelo Híbrido.
Fique Atento ao Calendário
Se você decidir que o modelo Híbrido é o melhor para a sua empresa, anote estas datas importantes:
- 1º a 30 de Setembro de 2026: Janela para solicitar a migração para o modelo Híbrido, com efeitos válidos a partir de 1º de janeiro de 2027. Este também é o prazo para empresas do Lucro Presumido pedirem o ingresso no Simples Nacional para o ano seguinte.
- Novembro de 2026: Prazo final para se arrepender e cancelar o pedido de mudança.
- Janeiro de 2027: O novo modelo escolhido entra em vigor na prática.
- Março de 2027: Período para eventual troca de modelo para o segundo semestre.
Um detalhe que passa despercebido: a escolha de setembro não é só sobre Tradicional x Híbrido. Se você está hoje no Lucro Presumido e quer migrar para o Simples Nacional em 2027, o pedido também precisa ser feito nessa mesma janela de setembro — quem perder esse prazo só consegue tentar de novo no ano seguinte.
Isso não é o fim do Simples Nacional
O Simples continua existindo normalmente. Essa escolha entre Tradicional e Híbrido é só sobre a forma de recolher dois impostos específicos — o resto (INSS, IRPJ, CSLL etc.) continua exatamente como hoje, dentro do DAS.
Também vale lembrar: em 2027 só o PIS e a Cofins são substituídos. ICMS e ISS continuam sendo cobrados normalmente até 2029, e só desaparecem de vez em 2033. A mudança é gradual — ninguém muda tudo de uma vez.
Deixe a Burocracia com o Qipu
Para a maioria dos clientes do Grupo 1 (pouca ou nenhuma nota B2B, sem necessidade de repassar crédito, incluindo empresas ainda sem faturamento), essa orientação já deve ser suficiente para decidir com segurança — e, na prática, não exige nenhuma ação da sua parte.
Se você faz parte do Grupo 2, ou se você prefere não fazer essa análise por conta própria e quer que o time do Qipu simule os cenários com os números específicos do seu CNPJ (faturamento, mix de clientes, despesas), esse é um serviço de diagnóstico personalizado e será cobrado à parte, com valor a ser consultado diretamente com o nosso time de atendimento.
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